Noções Gerais Básicas

Quais seriam alguns aspectos centrais do Buddhismo que podem ser encontrados independente da escola ou tradição?

Hoje em dia, pessoas interessadas em aprender os ensinamentos do Buddha se deparam com diferentes vertentes, tradições, escolas… E muitas vezes isso enseja confusões. Uma das perguntas mais comuns que surge, por exemplo, seria: “Mas não tem algum ´tipo de buddhismo´ onde tal e tal ideia inexistem?”, “Não posso achar algum ´tipo de buddhismo´ que não fale disso e daquilo?”

Bem, para ajudar com tais dúvidas nós listamos abaixo alguns itens centrais – e básicos! – que são de se esperar em qualquer linha de transmissão que representa os ensinos de Buddha. Vamos conferir:

 

1) VIDA E EXEMPLO DE BUDDHA SAKYAMUNI

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Buddha Sakyamuni é o Buddha Histórico, nascido há cerca de 2500 anos na Índia. Ele é também entendido como sendo nosso professor primordial: aquele que atingiu a Perfeita Iluminação (anuttara-samyak-sambodhi) nesta era e neste mundo, revelando os ensinamentos para que pudéssemos nos libertar dos sofrimentos. Os ensinamentos buddhistas, tal como os conhecemos, começaram com ele. Até mais, sua vida, sua conduta, seus valores, seu modo de praticar e auxiliar as pessoas, tudo isso, são inspirações para todos os praticantes buddhistas. Assim, é de se esperar que toda e qualquer escola buddhista dedique alguma energia a falar desse nosso professor fundamental. Seu exemplo nos inspira compaixão e sabedoria.

 

2) AS TRÊS JOIAS COMO PRINCÍPIO NORTEADOR

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Ademais, toda e qualquer tradição buddhista parte de um critério básico: as Três Joias (triratna).  Os praticantes buddhistas são aqueles que tomaram refúgio no Buddha, no Dharma e no Sangha. São essas as Três Joias que sinalizam o caminho para a Iluminação.

Aprender com os Buddhas, cultivar-se de acordo com os ensinamentos do Dharma, e apoiar respeitosamente o Sangha de monges e monjas enquanto deles se recebe orientações, são itens básicos prezados nas mais variadas escolas.

 

3) OS SELOS DO DHARMA

Ao longo dos sutras e demais textos buddhistas, apresenta-se pelo menos três selos que “certificam”  se um ensinamento reflete a mensagem profunda do Buddha. Estes selos são diretrizes que apontam instruções elevadas dentro da doutrina buddhista, diferenciando-a de outras tradições. Eles são:

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a) «Impermanência» – no Buddhadharma, nada há entre os fenômenos mundanos que se possa afirmar como permanente. Nem um Deus Permanente, nem um Mundo Permanente, nem uma Alma Permanente… Essas lógicas não figuram nos ensinamentos buddhistas. O que há, isso sim, é a lembrança constante de que todos fenômenos condicionados, internos ou externos, mentais ou materiais, sutis ou grosseiros, estão sujeitos à Lei da Impermanência.

b) «Não-eu» – seguindo a lógica anterior, diz-se que todos os fenômenos, além de impermanentes, são também “não-eu”. Isto é, não existem de modo autônomo e independente. Tudo no universo, na verdade, existiria mediante a lógica de Surgimento Condicionado (pratityasamutpada), onde diferentes causas e condições interagem originando os mais variados aspectos da realidade. Em poucas palavras, tudo seria interdependente, composto, condicionado; nada é de fato tão sólido ou tão isolado quanto aparenta ser.

c) «Nirvana é a paz perfeita» – sabendo que os fenômenos mundanos são descritos como impermanentes e não-eu, alguém pode compreender que não são fonte segura de refúgio; que não podem aportar felicidade satisfatória, nem podem ser agarrados por muito tempo. Com isso em mente, Buddha ensina que a “felicidade perfeita” é a paz do nirvana; ou seja, é a cessação do sofrimento mediante a extinção da cobiça, ira e ignorância. Essa lembrança traduz a meta mais central presente nos ensinos buddhistas.

 

4) DESCRIÇÃO DO SAMSARA E TEMA DO SOFRIMENTO

Sabendo que os ensinamentos buddhistas priorizam a cessação completa do sofrimento (i.e.,nirvana), encontraremos muitas exposições que tratam de explicar detalhadamente o sofrimento e suas origens. Falar do sofrimento para saber como resolvê-lo é uma estratégia básica do Buddha. Ele agia como um bom médico que, antes de tratar os males de uma doença, fazia um diagnóstico profundo e esclarecia quais as causas por detrás de nossas dores. Este, portanto, é um tema muito comum e prevalente.

E quando falava do sofrimento, Buddha também falava do Samsara (o ciclo de nascimentos e mortes). Ele explicou que vagamos vida após vida, de modo contínuo, estressante e ininterrupto, atados a um ciclo de sucessivos renascimentos. Ele também destacou as causas que nos mantêm presos a esse ciclo: o desejo e a ignorância (ver SN 22:99). Esta também é uma noção básica que se há de encontrar nas mais variadas escolas buddhistas.

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5) RENASCIMENTOS, REINOS E PRECIOSA VIDA HUMANA

Partindo da noção de samsara, Buddha explica o processo de renascimento como algo bem concreto e factível. Ele coloca essa compreensão numa categoria de ensinamentos que chama de “não passíveis de controvérsia”, ou seja, fatos certeiros cuja devida compreensão há de acarretar benefícios (ver MN60). Não se trata, portanto, de mera alusão simbólica ou de uma ideia descartável.

Buddha-Weekly-0buddhist-rebirth-wheel-of-samsaraUm passo além, ele ainda explica que não renascemos apenas e tão-somente como humanos, mas que existem múltiplas formas de renascimento. Existem múltiplas categorias de seres que transmigram de acordo com suas ações. Descreve, pois, planos de existência materiais e imateriais, onde existiriam: seres em reinos de mísera existência (naraka), seres afetados pela fome e inquietude constante (pretas), animais, seres humanos, e também seres celestiais (devas) que se regozijam em condições aprazíveis. Ao falar das muitas formas de renascimento, Buddha o faz destacando a importância de se valorizar o nascimento humano: segundo ele, seria este o mais propício para a prática espiritual, já que se encontra entre os fortes extremos de sofrimento e prazer tão característicos dos outros reinos.

Essa é uma compreensão básica compartilhada entre as escolas buddhistas e serve de base para uma maior apreciação da vida humana, a qual, segundo Buddha, é extremamente preciosa e difícil de se obter (ver SN 56.48).

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6) PRÁTICA CENTRALIZADA NO REINO HUMANO

Diferentemente de outras religiões que vão prezar pelo renascimento num reino celestial, Buddha reconhece a existência de reinos aprazíveis sem, contudo, estabelecer neles o foco central de seu ensino. O eixo de sua doutrina ainda jaz sobre a prática espiritual no reino humano, com fins a alcançar a Liberação (nirvana).

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São comuns na tradição buddhista métodos para se obter melhores condições na vida presente e melhores renascimentos futuros. Até mais, alguns praticantes buddhistas fazem votos de renascer noutros lugares a fim de continuar aprendendo…

E está bem. Nada disso, no entanto, significa que o Buddhismo preconiza alguma espécie de “lugar paradisíaco” como sendo «per se» a meta final. Na verdade, a meta sempre retorna ao tema de eliminar o sofrimento e atingir a paz perfeita, tanto para si quanto para os outros. Não falamos, pois, de chegar a um certo lugar, mas, sim, de alcançar um estado de consciência.

 

7) CAMINHO GRADUAL E NÍVEIS DE ENSINOS

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Para ajudar os seres a eliminar seu sofrimento, Buddha oferecia diferentes níveis de instrução; pois assim, era capaz de beneficiar os muitos tipos de pessoas que o escutavam. Nos sutras, ele frequentemente falava de sua doutrina como sendo um caminho gradual: algo que abarca generosidade, reverência e boas ações; conduta ética e disciplinada; contentamento e moderação; autocontrole sobre os sentidos e maestria da mente; atenção plena e profunda concentração; sabedoria e liberação…

Por isso, é normal encontrar ensinamentos mundanos e transcendentes, parciais e últimos, fáceis e difíceis, rasos e profundos, ao longo das mais variadas tradições buddhistas. Por exemplo: alguém pode se deparar com instruções bem simples para melhorar a saúde e as relações interpessoais; e pode, mais tarde, se deparar também com instruções profundas sobre o cultivo da mente. Todos estes aspectos coexistem em alguma medida. Não há escolas buddhistas que apresentem apenas e tão-somente ideias fáceis, nem escolas que ensinem unicamente os métodos mais avançados – há sempre uma progressão do básico ao complexo dentro de cada sistema, ou linhagem, de treinamento buddhista.

 

8) NOBRES VERDADES E NOBRE CAMINHO

Quanto a essas perspectivas mais profundas e difíceis, Buddha frequentemente se referia a elas com o termo “nobre”. Ou seja, algo elevado e de difícil apreensão para pessoas comuns sem treinamento. Trata-se de ideias mais acessíveis para aqueles treinados em virtude e sabedoria, para os que vão altamente engajados na busca espiritual. Era para estes, por exemplo, que Buddha ensinava sobre as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo.

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São referências centrais nos seus ensinamentos, tratando de explicar a fundo o sofrimento e suas origens, bem como a Liberação e o método para obtê-la. São ensinamentos que prezam pela redução do desejo e pela maturação da sabedoria. Tais referências, deve-se frisar, são aceitas e compartilhadas por todas escolas buddhistas.

 

9) TRÊS TREINAMENTOS SUPERIORES

De modo compacto, o Nobre Caminho Óctuplo para a Liberação (i.e., cessação dos sofrimento) é comumente resumido em três categorias importantes: Disciplina Moral, Cultivo Mental e Treino em Sabedoria. São também chamados de “Três Treinamentos Superiores” e conformam um tripé para o correto exercício da prática buddhista, de modo equilibrado e integral. Em detalhes:

a) «Disciplina Moral»sila: compreende os cinco preceitos básicos e as demais noções de conduta que traduzem um comportamento compassivo, ético e harmonioso. Esse aspecto trata especificamente do abandono do que é lesivo e insalubre, tanto para si quanto para outros, colocando especial ênfase no ideal de “não-violência”; ou seja, abster-se de prejudicar os outros seres. Essa noção de “cultivar o bem e abandonar o mal” é a base mais fundamental de toda prática buddhista.
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b) «Cultivo Mental»samadhi: diz respeito ao treinamento da mente. Mais do que o simples exercício da meditação formal, inclui ainda o desenvolvimento de qualidades importantes: atitude mental de amor benevolente, atenção plena com clara compreensão, e concentração profunda. Aqui, há especial ênfase na importância de possuir uma mente treinada, estável, maleável e clara a fim de fazer desabrochar a sabedoria. Todas escolas buddhistas ensinam métodos para se cultivar a mente.

c) «Treino em Sabedoria»prajña: esse item inclui não só o estudo e o aprendizado a fim de corrigir visões erôneas sobre a prática espiritual, mas abarca toda sorte de instrução útil à compreensão e à liberação da mente. Há especial ênfase no desenvolvimento da certas capacidades, como a análise e investigação profunda da realidade, mediante a qual o praticante percebe mais nitidamente os atributos da impermanência, do não-eu, etc.

Em termos práticos e gerais, o treinamento buddhista se apoia nesse tripé. Não se fala de trabalhar meditação sem conduta; ou conduta sem sabedoria; nem sequer sabedoria sem meditação no Buddhismo. Todos estes fatores vão conectados.

 

10) CAMINHO DO MEIO

Todos os já mencionados itens da prática buddhista, sem exceção, vão pautados pela noção de “Caminho do Meio” (madhyama-pratipada) que Buddha ensinou desde seu primeiro discurso. Em suma, isso significa que o caminho para a Liberação não recai no extremo do (1) «hedonismo», que seria entregar-se aos prazeres e confortos da vida; nem tampouco recai no extremo do (2) «ascetismo», que seria automortificar o corpo e a mente com exercícios ou privações exageradas, levando a danos na saúde. O Caminho Buddhista preza por um equilíbrio sutil, e um modelo de prática que conduz à autodisciplina sem incorrer na autoagressão (ver por exemplo, AN 6.55).
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11) VISÕES FILOSÓFICAS BÁSICAS

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Partindo da noção de “Caminho do Meio”, pode-se dizer que o mesmo princípio é utilizado para expressar a visão básica de mundo no buddhismo; para expressar, de modo sucinto, seu posicionamento frente a outras correntes filosóficas e tradições religiosas.

Buddha qualificava sua doutrina como algo que não recaía jamais no extremo de (1) «visões aniquilacionistas» (ucchedavada), as quais propunham que nada existisse após a morte, que ações boas e ruins não originariam efeitos kármicos, etc; e, também, dizia que sua doutrina também não recaía no extremo de  (2) «visões eternalistas» (sasatavada), as quais propunham uma alma eterna e imortal, um Deus ou Princípio ou Substrato eterno e imortal, etc.

 

12) SURGIMENTO CONDICIONADO

Sua visão de mundo mais básica se fundamenta na noção de “Surgimento Condicionado”, onde tudo existe mediante a interação de causas e condições. Trata-se de uma perspectiva que foge aos dois extremos anteriores: do eternalismo e do aniquilacionismo (ver SN 12.15).

Por Surgimento Condicionado (pratyasamutpada) se entende que tudo é interdependente; que nada surge ou existe de modo autônomo, intrínseco e isolado. Na verdade, tudo que surge se dá por meio de condições e tudo que cessa também o faz mediante certas condições.

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Com essa compreensão, por exemplo, sabemos que o sofrimento do Ciclo de Nascimento e Morte surge e se sustenta graças a algumas condições específicas; e sabemos que, ao trabalhar com tais condições, transformando-as, o mesmo sofrimento pode mudar – pode cessar completamente. Trata-se de um conceito fundamental em todas escolas buddhistas, o qual nos ajuda a olhar para as condicionantes de nossa realidade e trabalhar habilmente com elas.

 

13) KARMA E CAUSALIDADE

Ao compreender a Lei do Surgimento Condicionado, e entender que tudo quanto existe é interdependente, passamos a entender também o modo como todos afetamos a todos. Estamos interligados. Isso ajuda a entender a noção de «karma», ou o princípio da causalidade, onde toda ação intencional gerada produz inevitavelmente um efeito correspondente. Como um grito e seu eco, ou como a semente e seu fruto, Buddha ensinava que nossa ações intencionais (karmas) nunca são improfícuas: elas afetam o universo e, ato contínuo, retornam com resultados equivalentes para o agente que as produziu.

Essa noção de Karma, de causalidade, também chamada de “Lei de Causa e Efeito”, é um dos pontos mais fundamentais compartilhados por todas tradições buddhistas. Isso nos ajuda a entender que somos criadores do nosso próprio destino, com as ações que geramos através do corpo, da fala e da mente. Ajuda a entender, dentre outras coisas, que nada do que nos sucede é casual; mas “causal”. Ou seja, todo acontecimento seria reflexo de alguma causa plantada anteriormente.

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Sabendo disso, praticantes buddhistas tomam as rédeas do próprio destino e moldam-no com ações positivas. Assim o fazem ao invés de crer que estão fadados a algum futuro pré-determinado; assim o fazem ao invés de crer, novamente, que alguma divindade ou princípio aleatório estaria controlando suas vidas.

 

 

14) SABEDORIA, COMPAIXÃO E VOTOS DE CONFIANÇA

Essas são algumas das qualidades preconizadas, em maior ou menor medida, em todos círculos de prática buddhista. Desenvolver sabedoria pode ter relação direta com a investigação e o entendimento dos princípios anteriores – buscando entender o funcionamento do Karma, do Surgimento Condicionado, etc.; mas também abrange outros aspectos como o estudo e a prática contemplativa.

Já a compaixão, podemos frisar, é frequentemente destacada ao lado da Sabedoria para que lembremos: não é possível atingir a liberação da mente sem cultivar também importantes emoções positivas (como o amor benevolente, a compaixão, a alegria ante o sucesso alheio, a equanimidade…). Ajudar os demais é um fator que gera méritos – ou seja, karma positivo -, e serve como fator causal para poder progredir no caminho da Iluminação sem se deparar com muitos obstáculos.

Ao fim, fala-se também da qualidade de estabelecer votos com sincera confiança. Estamos falando de uma qualidade de devoção, de confiança reverente, de respeito e motivação, que brota ao apreciarmos nossos grandes modelos – como o próprio Buddha Sakyamuni. Notem que aqui, não se preconiza uma “fé cega”, mas, sim, uma atitude de reverente admiração que preenche o praticante quando este contempla o Caminho do Dharma. Algumas escrituras dizem que a devoção destituída de discernimento fortalece à ignorância; mas a inteligência desprovida de uma dose sadia de reverência e devoção, também, só faz proliferar opiniões errôneas – fortalecendo a própria arrogância. É preciso certo equilíbrio. Por isso, uma terceira qualidade importante no Buddhadharma é a qualidade da devoção, mediante a qual fazemos votos confiantes de trilhar o mesmo caminho que todos os Iluminados percorreram.

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15) BENEFÍCIO PRÓPRIO E ALHEIO

Uma vez que tenhamos lembrado a coexitência da Compaixão e da Sabedoria dentro dos ensinamentos de Buddha, fica fácil sinalizar isto: o Buddhadharma, a doutrina de Buddha, sempre comporta referências para que possamos beneficiar a nós mesmos e beneficiar aos demais.

Não há escola buddhista que despreze em absoluto o trabalho pelo benefício próprio. Precisamos nos cuidar para cuidar dos outros. Afinal, se não reduzirmos nossa cobiça, ira e ignorância, como seremos capazes de bem lidar com os outros seres? Esta é uma noção de sabedoria: para cuidar dos demais, precisamos cuidar também de nós; cuidar da qualidade de nossa prática espiritual.

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E, por outro lado, também, não há escola buddhista que despreze em absoluto o benefício alheio. E em quê sentido? Buddha viajou e ensinou diferentes pessoas por mais de 40 anos. Mesmo seus alunos mais discretos e isolados sentiam compaixão e não se negavam a ajudar, a beneficiar quem podiam. Como tal, não há escola buddhista que não trabalhe de algum modo, direta ou indiretamente, para beneficiar os seres e ajudar nossa sociedade. Esta é uma noção de compaixão.

 

 

16) VIDA LAICA E VIDA MONÁSTICA

Encerrando, existem no Buddhismo pelo menos dois modelos de vida segundo os quais podemos cultivar o Dharma. O (1) modelo de vida laico e o (2) modelo de vida monástico. Estes dois modelos refletem muito bem o princípio anterior de “beneficiar a si e beneficiar aos outros”.

Buddha designou seus discípulos mais próximos, os monges e monjas renunciantes, para se encarregarem da transmissão dos ensinamentos; para manterem acesa a chama do Dharma, passando-o de geração a geração. São pessoas que se submetem a um duro treinamento, e dedicam sua vida integralmente para aprender a fundo o Caminho de Buddha. Assim sendo, podem melhor ensinar e ajudar a perpetuar essa mensagem – beneficiando incontáveis seres.

Tal é a importância do Sangha de monges e monjas, respeitado e prezado em toda e qualquer escola buddhista. Tal é, brevemente, a importância do ideal de vida monástico.

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Ademais desse estilo, porém, Buddha também incentivava que seus discípulos laicos praticassem. Ou seja, ele auxiliava aqueles bons homens e mulheres com casa, emprego, filhos e família, a estudar e cultivar o Dharma. O caminho para a Liberação não é restrito aos monges. E assim sendo, Buddha também teve muitos discípulos laicos, homens e mulheres, de todas as idades, que conseguiram realizar os mais altos frutos da prática buddhista.

Esses laicos, chamados de upasaka – no caso dos homens – e upasika – no caso das mulheres – sempre foram os grandes apoiadores do Buddhismo. Mediante suas doações, o Sangha de monges e monjas pode continuar subsistindo e treinando a fundo, para mais tarde retribuir e auxiliar aqueles mesmos laicos na sua prática espiritual. Este apoio conjunto também reflete o ideal de benefício mútuo e, ainda hoje, é extremamente importante para a perpetuação do Dharma. Tal é a importância do ideal da vida laica.

Em suma, no buddhismo não se menospreza o ideal de vida monástica, nem tampouco o ideal de vida laica. Ambos tem sua importância.

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CONCLUSÃO

Esses 16 pontos resumem algumas ideias e valores – muito gerais! – que alguém pode esperar encontrar nas mais variadas vertentes buddhistas. São temas teóricos e práticos muito básicos. Eles oferecem uma visão panorâmica de como funcionam os ensinamentos de Buddha, o treinamento por ele proposto, ademais da maneira como se organizam os discípulos. Esperamos que a lista ajude a eliminar possíveis dúvidas.

Havendo outras questões, mandem para a página!

 Namo Buddha! (homenagem ao Buddha)