Alguns Conceitos Importantes

Sobre esta lista

Nesta seção, estão alguns dos principais conceitos buddhistas explicados brevemente. O propósito é ajudar na compreensão geral de algumas ideias que sempre, sempre, e sempre, se repetem nos ensinos de Buddha. São ideias que por vezes parecem obscuras, que não captamos muito bem, ou que passam desapercebidas e podem até mesmo suscitar confusões…. Mas, assim mesmo são ideias importantes.

E importantes como? Com certeza, entender umas poucas palavras não fará de ninguém um Iluminado. Mas esse entendimento pode facilitar – e muito! – na assimilação da mensagem legada por Buddha. Havendo mais clareza sobre o que Buddha propunha, tanto mais fácil será a nossa prática espiritual. Assim, o objetivo aqui é meramente limpar o caminho (dos possíveis enganos) e facilitar a comunicação com o Dharma.

Esperamos que esse segmento possa ajudar e motivar os praticantes!

 

 

 

BUDDHA

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Sânscrito: बुद्ध (buddha)                Coreano: 佛 / 불 (bul)
Pali: – – (buddha)                           Japonês: 佛 / ブツ (butsu)
Chinês: 佛 (fó)                                Tibetano: སངས་རྒྱས / sangs rgyas (sang gyé)


 

Trata-se de alguém que alcançou a buddhidade, isto é, que realizou anuttarā-samyak-saṃbodhi (a Suprema, Perfeita e Completa Iluminação). No buddhismo, este é considerado o estado mais elevado e de mais plena realização do potencial humano, onde alguém é finalmente capaz de manifestar toda compaixão e sabedoria.

O termo deriva da raiz budh (estar ciente de, perceber, observar, acordar) e traz consigo a ideia de alguém que acordou; denota a ideia de um grande despertar. Em outras palavras, designa um despertar pleno para a Verdade Universal: uma compreensão profunda das leis que regem o universo, do nosso modo profundo de existência, do funcionamento do corpo e da mente, e assim por diante. Trata-se de um despertar que implica, também, na compreensão das aflições mentais e na sua completa erradicação: um buddha, antes de mais nada, é alguém que erradicou toda ira, cobiça e ignorância, colocando fim às origens sutis do sofrimento e atingindo a Paz Perfeita (nirvāṇa).

Por vezes traduzido como: Buda; Desperto; Iluminado.

 

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DHARMA

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Sânscrito: धर्म (Dharma)                    Coreano: 法 / 법 (beop)
Pali: – – (Dhamma)                             Japonês: 法 / ホウ (hō)
Chinês:  法 (fǎ)                                   Tibetano: ཆོས/ chos (chö)


Um termo polissêmico de grande importância no Budismo. Quando em letra maiúscula, “Dharma” geralmente faz menção à Verdade Universal (satya) e aos ensinamentos de Buddha que vêm para explicar essa realidade profunda. O termo tem origem na raiz dhr (lit., o que preserva ou mantém) e, como tal, traz uma ideia de conter significados profundos. O termo reflete certa ordem cósmica, as leis e axiomas mais fundamentais do universo.

Num contexto mais estrito, “Dharma” aparece também no sentido de Buddhadharma: o ensino ou doutrina de Buddha. É a palavra que se usa para fazer menção ao conjunto de ensinamentos e instruções para a Iluminação. Noutros momentos, quando empregado em letra minúscula, “dharma” pode ser traduzido como fenômeno, qualidade, atributo, objeto mental, etc. Nesse último caso, o termo já assume outro tipo de significado.

 Por vezes traduzido como: Darma. Ensinamento, Doutrina. Verdade Universal.

 

 

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 SANGHA

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Sânscrito: संघ (saṃgha)                  Coreano: 僧伽 / 승가 (seungga)
Pali: – – (saṅgha)                               Japonês: 僧伽 / ソウギャ (sōgya)
Chinês: 僧伽 (sēngqié)                    Tibetano: དགེ་འདུན/ dge ‘dun (gé dün)


Mais corretamente traduzido como “O Sangha”, por tratar-se de um substantivo masculino. O Sangha, Juntamente com o Buddha e o Dharma,  figura como uma das Três Joias buddhistas (triratna).

Originalmente, o termo “sangha” implica num bando, grupo ou agrupamento de alguma espécie. No Buddhismo, designa antes demais nada o grupo de monges (bhiksus) e monjas (bhiksunis) plenamente ordenados, que vivem com harmonia e conduta pura, pautando-se segundo as regras de disciplina estabelecidas pelo próprio Buddha. O Sangha de monges e monjas do Buddha dedica-se integralmente à prática do Dharma e sua correta transmissão.

Atualmente, a palavra começou a ser utilizada livremente para designar grupos e comunidades buddhistas variadas. Entretanto, cabe ressaltar-se: a comunidade de discípulos laicos, geralmente, não entra numa definição estrita de Sangha. À época de Buddha, por exemplo, consideravam parte integrante  do Sangha apenas aqueles discípulos laicos de elevadas realizações, como os que já haviam alcançado o estado de srotāpanna (Entrada na Correnteza) ou mais. Como uma fonte de refúgio, reflete sempre um coletivo de sábios, com renunciantes de conduta pura ou praticantes de elevada realização.

 Por vezes traduzido como: Sangha. Comunidade de monges e monjas buddhistas; Comunidade.

 

 

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SAMSARA

 

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Sânscrito: संसार (saṃsāra)                 Coreano: 輪迴 / 윤회 (yun hoe)
Pali: – –  (saṃsāra)                               Japonês: 輪迴 / りんね (rinne)
Chinês: 輪迴 (lún huí)                        Tibetano: འཁོར་/ ‘khor ba (khorwa)


noção de saṃsāra é fundamental nos ensinos buddhistas. Este termo, que pode ser literalmente entendido como “dar voltas” ou “perambular”, descreve o problema central explicado por Buddha: o sofrimento repetido ao qual todos os seres estão sujeitos. Trata-se de uma condição regida por ignorância e apego, onde vida após vida continuamos a perpetuar os mesmos enganos e dar voltas inúteis num processo altamente insatisfatório. Vida após vida, assim, as mesmas dores e frustrações seriam repetidamente experimentadas.

Nos sutras, Buddha ilustra esse cenário desconfortável comparando-o a um cão que está preso no poste. Ele se move para a direita e para a esquerda, para lá e para cá, mas segue dando voltas em torno do poste. Como continua preso por uma coleira, as voltas do cão não o levam a lugar algum; ele continua lá, insatisfeito, confinado numa condição sem real liberdade.

Saṃsāra seria a antítese da liberdade. E nossa condição seria similar à do cão: estaríamos atados pela ignorância e pelo apego, dando voltas ao redor do sofrimento.

Portanto, fala-se que a ideia de “saṃsāra” não descreve apenas o comportamento iludido no tempo da vida presente. Reflete também uma realidade profunda expressa por Buddha: a de que todos os seres renascem e morrem, renascem e morrem, renascem e morrem… Repetida, contínua e indefinidamente. Por essa razão o termo é também traduzido como “Ciclo de Nascimento e Morte”. Esse processo se dá de modo compulsório, sem controle, até que conquistemos profunda sabedoria e nos libertemos dos apegos que nos tolhem. Quando tivermos êxito nessa tarefa, ensina o Buddha, teremos conquistado a maior e mais valiosa liberdade possível – a paz do Nirvana.

Por vezes traduzido como: Ciclo de Nascimento e Morte, ou Ciclo de Nascimentos e Mortes. Existência Cíclica; Roda da Vida.

 

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NIRVANA

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Sânscrito: निर्वाण (nirvāṇa)     Coreano:  涅槃/열반  (yeolban)
Pali: – –  (nibbāna)                    Japonês:  涅槃/ ねはん  (nehan)
Chinês: 涅槃 (nièpán)              Tibetano: མྱ་ངན་ལས་འདས་པ།/ mya ngan las ‘das pa (nyangen lé dé pa)


Buddha se referia ao Nirvāṇa como sendo o alicerce sobre o qual se desenvolve a vida espiritual. Isto é, seria o destino final, a meta última. Trata-se do norte mais fundamental nos ensinamentos buddhistas. Entende-se como sendo o resultado do despertar e da purificação da mente:  um inabalável estado de liberação,  com júbilo e paz incomparáveis.

A palavra Nirvāṇa tem a ver com “cessar”. Em chinês, por exemplo, costuma ser traduzida como 滅 (miè), significando “extinção” – algo que se acaba como uma chama ao se apagar. A ideia mais básica é que esse estado reflete a extinção do sofrimento; reflete a extinção completa do que Buddha descrevia como “os três fogos que atormentam a mente”: cobiça, ira e ignorância. O Nirvāṇa seria um estado de paz e felicidade perfeitas, resultante da extinção de todas nossas aflições mentais; seria a completa cessação do sofrimento.

Entende-se tal estado como sendo a suprema liberação da mente. É uma liberdade que contrasta com o confinamento do Samsara. Em outras palavras, Nirvāṇa pode ser bem compreendido como a antítese do Ciclo de Nascimento e Morte: pois aquele que alcança a perfeita liberação da mente, segundo o Buddha, estaria livre de perambular sem rumo pelos diferentes reinos da existência; ao atingir a paz do Nirvāṇa, alguém estaria livre da necessidade de renascer e transcenderia todos sofrimentos da existência cíclica. 
Por vezes traduzido como: Nirvana. O Incondicionado, o Pacífico, o Imortal, a Cessação (do sofrimento), etc.